Thursday, April 19, 2007

Nada mudou. Ao fim de tantos anos, o meu
passado é ainda o mesmo passado - nenhum
rosto diferente para desviar o rio da memória,
nenhum nome depois. Para te esquecer,

devia ter partido há muito tempo, como viajam
as aves de verão em verão. E tentei; mas as malas
abertas sobre a cama eram livros abertos, e eu
nunca fechei um livro antes do fim. Por ter

ficado, nada mudou jamais - e o meu passado é
ainda o nosso passado; e o rosto que tinha antes
de me deixares é o que o espelho me devolve no
presente...




Maria do Rosário Pedreira



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1 comment:

marta (doavesso) said...

este poema diz muito, mas "nenhum nome depois", diz tudo...gosto muito da Maria do Rosário Pedreira. Parece que fala de dentro desta dor.