Wednesday, December 12, 2007

Reflexões:

1.ª- para os outros eu não era aquele que, para mim, tinha até então julgado ser;
2.ª- não podia ver-me viver;

3.ª- não podendo ver-me viver, permanecia estranho a mim mesmo, ou seja, alguém que os outros podiam ver e conhecer, cada qual à sua maneira, e eu não;
4.ª- era impossível colocar-me diante desse estranho para o ver e conhecer, eu podia ver-me, mas não vê-lo;
5.ª- para mim o meu corpo, se o observava de fora, era como uma aparição, uma coisa que não sabia que vivia e ficava ali, à espera que alguém pegasse nela;
6.ª- tal como eu pegava no meu corpo para ser, por vezes, como me queria e me sentia, também qualquer um podia pegar nele para lhe dar uma realidade à sua maneira;
7.ª- finalmente, aquele corpo, por si mesmo, era de tal forma nada e de tal forma ninguém que um fio de ar podia, hoje, fazê-lo espirrar, amanhã, levá-lo consigo.




Luigi Pirandello



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4 comments:

Anonymous said...

palavras laminadas a inverno,
servem-nos em qualquer estação.
convém contudo lembrar (é vero!):
o verão, o verão, o verão
(e as flores que virão).

gi.

menina alice said...

Ando cheia de vontade de me fazer ao piso do Pirandello.

a cold zڠro said...

forte. intenso. de cortar a respiraçao. confesso que fiquei assim para o abismado e tentado a roubar-te o post para por no meu blog. sinto-o como um retrato de mim. contudo nao seria de todo honesto mesmo colocando um link de referencia para aqui para alem de que iria ficar com problemas de consciencia... fica apenas um copy-paste para o meu arquivo pessoal e uma nota de rodapé para pesquisar mais acerca deste senhor.

lebredoarrozal said...

pirandello é genial, este livro dele é um espanto:
"Um, Ninguém e Cem Mil"

:)