Post rotineiro a relembrar um dos meus filmes preferidos
Blonde
S'éveille-telle en lui
Déloge l'homme en lui
Un ange vole
Un ange vole
...Beau...
Se love-t-elle en lui
Furtive elle en lui
Un homme change
Un homme change
...Etrange...
Parfait mélange
S'échange -t-il d'aile en elle
Un homme sombre change en elle
Un ange bombe
Un ange blonde
...Dérange...
Doux... parfait mélange...
Sexe d'un ange
Guesch Patti
O ROSTO DA MATÉRIA
Parece simples
a simplicidade que vem das coisa
se nos encontra a meio do caminho
entre o que não fizemos
e o que não faremos.
Também elas percorrem os círculos
do poço em que se afundam
a boca negra de onde sai a tinta
e espalha a luz do dia
igual á luz da noite.
Tratam-se por tu as coisas
e esta intimidade
flutua no ar do papel
onde crianças voam com as cores
de um papagaio pois não é assim que o vento faz o vento
desde todo o sempre?
Sempre as crianças brincaram com a chuva
corsários da terra enlameada
sujos de uma alegria
que ninguém despe
mas desfaz o tempo e tudo o que pensamos
da simplicidade das coisas.
Essa lama que vive no rosto da criança
é a única matéria do traço
é a limpidez do ar.
Rosa Alice Branco
Foi-se
O tempo dos grandes gestos foi-se e não voltará
os braços estão cansados de abrir e fechar
ledas ou tristes madrugadas tanto dá
o tempo dos grandes gestos foi-se e não voltará.
O tempo dos vinhos doces foi-se e não voltará
está rolhado o paraíso. Quem me beber
o sangue em chumbo lhe coagulará
o tempo dos vinhos doces foi-se e não voltará.
O tempo dos pedestais foi-se e não voltará
esclerosada a estátua de mármore. Sobre as veias
da testa a erva como feno crescerá
o tempo dos pedestais foi-se e não voltará.
ulla hahn
Teias de aranha penduradas da razão
Teias de aranha penduradas da razão
Numa paisagem de cinza absorta;
Passou o furacão do amor,
E nenhum pássaro fica.
Tão pouco nenhuma folha,
Todas vão longe, como gotas de água
De um mar quando seca,
Quando não há lágrimas bastantes,
Porque alguém, cruel como um dia de sol na primavera,
Só com sua presença dividiu em dois um corpo.
Agora faz falta recolher os pedaços de prudência,
Ainda que sempre nos falte algum;
Recolher a vida vazia
E caminhar esperando que lentamente se encha,
Se é possível, outra vez, como antes,
De sonhos desconhecidos e desejos invisíveis.
Tu nada sabes disto,
Tu estás além, cruel como o dia,
O dia, essa luz que abraça apertadamente um triste muro,
Um muro, não compreendes?,
Um muro frente ao qual estou só.
Luís Cernuda
Vôo
Alheias e nossas as palavras
voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Viam as palavras como águias imensas.
Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.
Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós, em redor de nós as
palavras voam.
E às vezes pousam.
Cecília Meireles
Breve variação sobre um post antigoMelancolia chorona duma menina gordaEsta menina gordagorda... gorda... gordatem um pequeno coração sentimentalSeu rosto é redondo... redondo... redondoToda ela é redonda... redonda... redonda e uns olhinhos que estão no fundo a brilhar(...)Ribeiro Couto