Monday, November 24, 2008

Abriu no colchão as valas possíveis
e enterrou por ordem alfabética
cada parte do corpo: os pêlos
os pântanos as unhas encravadas
e as unhas que outros cravaram pelas coxas.
Estudou cuidadosamente as ondas as horas
para que não restassem dúvidas
sobre os caminhos marítimos
para a noite. Por fim
podou todas as janelas do quarto;
bebeu o vinho;
roeu a carne do quarto
até não sobrar nenhum coração.



Catarina Nunes de Almeida



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3 comments:

Anonymous said...

A gift:
http://www.bugtown.com/alice/

Daniel Francoy said...

mas o coração sempre volta a nascer, certo? é uma desgraça. ou talvez não.

Arcana said...

oi
:)

procuro por novas amizades!