Sunday, November 30, 2008

A melancolia não é uma besta quadrada. É obtusa. Abre-se em farpas e vai escolhendo os lugares do corpo onde perfurar. Tenho melancolia nos dedos, vejo-a no amolecer do papel. Tenho melancolia na boca, que a comprime e horroriza. Da boca às mãos, um trajecto fúnebre – o caminho que os mortos fazem até chegar a mim.
(A minha melancolia alimenta-se dos meus mortos.)
Passou um comboio pelo meu fazendo-o sobressaltar-se e eu com ele. A máquina levou-me o coração junto – isso e alguns vermes – aumentando-me o rasgo no peito. A Dona Tê pensa que eu nasci sem coração, mas eu sinto que ela nasceu sem cérebro. Nasceu com uma cabeça de nada, o que já é muito.




Menina Limão



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5 comments:

T.H. said...

muito bem.

casa de passe said...

sorte a dela!

nini

franksy! said...

por acaso também parei neste post da menina limão e pensei, realmente, que não restem quaisquer duvidas.

menina tóxica said...

sim, palavras mais lindas :)

indigente andrajoso said...

tome lá

http://www.tinyvices.com/dash_snow_68