Wednesday, July 2, 2008

tradução caseira da lebre


O coração morto


Não é uma tartaruga
Escondida na sua pequenina carapaça verde.
Não é uma pedra para pegar
e por debaixo da tua asa preta.
Não é uma carruagem antiquada de metro.
Não é um pedaço de carvão que tu podes acender.
É um coração morto.
Está dentro de mim.
É um estranho
mas já foi afável,
abrindo e fechando como uma amêijoa

O que me custou, tu não podes imaginar
psis, padres, amantes, filhos, maridos,
amigos e tudo o resto.
O quão caro que foi continuar.
Também devolveu
Não o negues.
Quase que me pergunto se Abril o poderia devolver à vida
Uma tulipa? O primeiro botão?
Mas esses são apenas devaneios meus
a pena que se tem apenas quando se olha para um cadáver.

Como é que ele morreu?
Chamei-lhe MALVADO
disse-lhe, os teus poemas tresandam como vómito.
Não fiquei para ouvir a última frase.
Morreu na palavra MALVADO.
Eu fiz isso com a minha língua.
A língua, dizem os chineses
é como uma faca afiada
mata sem derramar sangue.




Anne Sexton



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8 comments:

féni-xona said...

foda-se...cortei-me.

Sofia said...

O fado é bom para xuxu...

Vê este da Amália:
http://www.youtube.com/watch?v=SYdyMVpkCOM

P.S.:"Chamar de" não existe em português, apenas no do Brasil.

lebredoarrozal said...

obrigada pela chamada de atenção, realmente a tradução nao estava perfeita.

Sofia said...

Obrigada pelos teus momentos poéticos. É um prazer ler-te.

alice said...

faz algum tempo que descobri e me enamorei por Anne Sexton, aqui, contigo.
as tuas traduções são sempre um belo presente :)

obrigada pela enorme generosidade que se respira neste espaço.

angela said...

[sigh]

___*

casa de passe said...

a da fotografia parece a Alice quando o João lhe dá banho!


(Loulou + Nini sem a Alice e muito menos o João)

menina limão said...

os chineses dizem coisas muito interessantes. têm, por exemplo, como símbolo da morte...o limão.

(terrível esse poema)